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Trump interfere na Fifa e libera Balogun para jogo EUA-Bélgica

Após pedido de Trump ao presidente da Fifa, casas de apostas revertem favoritismo. EUA agora lideram previsões contra Bélgica nas oitavas de final.

Trump interfere na Fifa e libera Balogun para jogo EUA-Bélgica
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/07/06/casas-de-apostas-passam-a-apontar-vitoria-dos-eua-apos-pedido-de-trump-a-fifa.ghtml

A liberação de Folarin Balogun e o pedido de Trump à Fifa

A decisão da Fifa de liberar o atacante Folarin Balogun para a partida entre Estados Unidos e Bélgica, marcada para segunda-feira (6), gerou uma série de desdobramentos políticos e financeiros. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter feito um pedido pessoal ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para revisar a punição disciplinar que havia mantido o jogador fora do confronto. Essa interferência presidencial levantou questionamentos sobre a independência das instituições responsáveis pelo futebol internacional.

O caso teve origem em um cartão vermelho recebido por Balogun durante a partida contra a Bósnia e Herzegovina, quando o árbitro Raphael Claus considerou violenta uma ação em que o jogador pisou no tornozelo de um adversário. Com a expulsão, o atacante estaria automaticamente suspenso para o próximo jogo, conforme as regras disciplinares da competição. No entanto, a Fifa anunciou no domingo que o jogador estava liberado para atuar.

O processo de revisão disciplinar da Fifa

De acordo com a entidade reguladora do futebol mundial, a suspensão de Folarin Balogun foi anulada após um processo independente de revisão disciplinar previsto em seu regulamento. A decisão foi fundamentada no artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, intitulado "Suspensão da implementação de medidas disciplinares", que permite aos órgãos judiciais da instituição suspender, total ou parcialmente, a execução de uma sanção disciplinar.

O regulamento estabelece que quando uma sanção é suspensa, a pessoa beneficiada fica submetida a um período de prova que varia de um a quatro anos. Caso o jogador cometa outra infração de natureza e gravidade similares durante esse período de prova, a suspensão será revogada e a sanção disciplinar original será executada, além de possíveis punições adicionais. Vale ressaltar que medidas disciplinares relacionadas à manipulação de resultados não podem ser suspensas sob qualquer circunstância.

Infantino confirma contato com Trump

Na segunda-feira, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, confirmou que havia mantido contato com o presidente dos EUA. Em comunicado oficial, Infantino afirmou: "Eu converso regularmente com o Presidente dos Estados Unidos sobre assuntos da Copa do Mundo, e de fato recebi uma ligação do Presidente Donald Trump". No entanto, o dirigente ressaltou que os órgãos judiciais da Fifa possuem independência essencial para manter a credibilidade e a integridade do futebol.

Infantino sustentou que havia dito a Trump que o caso do cartão vermelho "seria decidido no devido tempo pelas autoridades competentes". Essa declaração sugere que a decisão de liberar Balogun teria sido tomada pelos processos regulares da instituição, independentemente da interferência política. A defesa da independência institucional por parte do presidente da Fifa contrasta com as circunstâncias políticas que cercaram a liberação do jogador.

Reação das casas de apostas após a liberação

Logo após o anúncio da Fifa confirmando a liberação de Folarin Balogun, as principais plataformas de previsão de mercado (prediction markets) alteraram significativamente suas projeções para o confronto entre Estados Unidos e Bélgica. Na Polymarket, os EUA passaram a aparecer com 40% de probabilidade de vencer o confronto, contra 34% para a Bélgica, enquanto o resultado de empate soma 28% nas previsões.

Na plataforma Kalshi, a vantagem dos norte-americanos mostrou-se ainda mais acentuada. Os EUA aparecem com 53% de probabilidade de vitória, ante 47% dos belgas. Essas duas plataformas funcionam como mercados de previsão, nos quais usuários negociam contratos cujos valores refletem a probabilidade estimada de um determinado evento ocorrer. É importante notar que no Brasil esse tipo de serviço foi proibido pelo governo federal, que determinou o bloqueio dessas plataformas por entender que sua operação não se enquadra na regulamentação brasileira para apostas e mercados financeiros.

A mudança nas projeções foi dramática e ocorreu no domingo, logo após a confirmação da Fifa. Até então, a Bélgica liderava as estimativas de vitória nas duas plataformas de apostas. Com a reversão da punição aplicada a Balogun, os Estados Unidos passaram imediatamente à frente nas previsões.

Recurso da Bélgica contra a decisão

A decisão de liberar Folarin Balogun gerou reação imediata da Federação Belga de Futebol. Antes da partida pelas oitavas de final, a federação recorreu à Fifa e solicitou esclarecimentos sobre a liberação do atacante. Os dirigentes belgas argumentavam que, conforme as regras disciplinares da Copa do Mundo de 2026, um jogador expulso deve cumprir suspensão automática no jogo seguinte ao qual foi enviado para fora de campo.

A Federação Belga também afirmou que a autorização para Balogun entrar em campo contrariava o regulamento específico da Copa do Mundo de 2026. Os dirigentes belgas acrescentaram ainda que não haviam recebido formalmente a decisão da Fifa nem a justificativa técnica para a mudança de posicionamento. Essa falta de comunicação levantou questões adicionais sobre a transparência do processo de revisão disciplinar.

A Fifa, porém, rejeitou o recurso da Bélgica. A justificativa apresentada foi que a federação belga não fazia parte do processo original que analisou o caso e, portanto, não poderia contestar a decisão dos órgãos judiciais da entidade. Com essa rejeição, Folarin Balogun foi mantido entre os jogadores disponíveis para enfrentar a seleção belga nas oitavas de final da competição.

Impacto político e esportivo do caso

O episódio envolvendo a liberação de Balogun ilustra a crescente proximidade entre Trump e a Fifa, evidenciada pela frequência de comunicações entre o presidente dos EUA e Gianni Infantino. Os diálogos regulares sobre assuntos relacionados à Copa do Mundo de 2026 sugerem um relacionamento institucional consolidado, que pode influenciar decisões importantes da entidade reguladora do futebol. Essa situação levanta debates sobre a separação apropriada entre política e esporte, tema recorrente nas discussões sobre governança do futebol internacional.

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