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Témiscaming enfrenta risco de extinção econômica com tarifas de Trump

A cidade canadense de Témiscaming luta pela sobrevivência econômica enquanto sua principal fábrica de papel permanece paralisada pelas tarifas americanas impostas por Trump.

Témiscaming enfrenta risco de extinção econômica com tarifas de Trump
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

A cidade que depende de uma fábrica de papel

Témiscaming, pequena localidade no Quebec, enfrenta uma crise existencial devido às tarifas de Trump sobre produtos canadenses. A fábrica de papel, que constitui o coração econômico da região há mais de um século, permanece paralisada desde outubro, deixando centenas de trabalhadores desempregados. As tarifas de Trump, que atingem 50% dos produtos madeireiros e de celulose canadenses, tornaram economicamente inviável a operação da planta, que exportava cerca de 75% de sua produção para os Estados Unidos.

A imposição dessas tarifas de Trump representa um golpe devastador para uma comunidade cuja identidade e prosperidade foram construídas ao redor da indústria florestal. O vale do rio Ottawa, onde se localiza Témiscaming, oferecia recursos naturais abundantes que atraíram investidores há gerações. Hoje, essa mesma geografia que antes representava oportunidade agora amplifica a vulnerabilidade da região frente às políticas comerciais americanas.

Impacto econômico imediato na comunidade

Dos 360 funcionários da fábrica operada pela RYAM, praticamente todos enfrentam desemprego. Enquanto o governo oferece auxílio parcial através de programas de alívio tarifário, o futuro permanece incerto. O valor das propriedades residenciais despencou dramaticamente, com placas de venda aparecendo em toda parte. Moradores como Nadine Suley descrevem a situação como um ataque pessoal, não apenas uma questão econômica.

A fábrica de papel produz papelão utilizado em embalagens de alimentos congelados e bilhetes de loteria instantânea, produtos com demanda significativa na América do Norte. Seu fechamento cria efeito cascata na economia local, afetando serrarias, empresas de transporte e fornecedores relacionados. Um empreiteiro local já demitiu 13 funcionários devido à redução de atividades.

Temor de transformação em cidade fantasma

Ronnie Raymond, cujos ancestrais trabalharam na indústria, expressa o temor coletivo: sem a fábrica, Témiscaming pode virar uma cidade fantasma. Até profissionais essenciais como médicos e funcionários de supermercados podem abandonar a região em busca de oportunidades em centros urbanos maiores. Esse cenário representaria o colapso completo de uma estrutura social construída ao longo de gerações.

Comparação com a situação econômica nacional

Enquanto a taxa de desemprego nacional canadense permanece relativamente estável em torno de 6,5%, setores específicos afetados pelas tarifas de Trump enfrentam dificuldades desproporcionalistas. Aço, alumínio, automóveis e madeira/celulose/papel sofrem com as políticas tarifárias americanas de até 50%. Isso levanta questões sobre a adequação das respostas governamentais para regiões em sofrimento.

Líderes sindicais como Stéphane Lefebvre argumentam que uma perda de 10% de empregos em cidades como Toronto, Montreal ou Vancouver geraria cobertura intensiva da mídia e pressão política imediata. A crise de Témiscaming, embora catastrófica localmente, recebe menos atenção nacional.

Histórico de resiliência: a experiência de 1973

Não é a primeira vez que Témiscaming enfrenta ameaça de colapso econômico. Em 1973, o proprietário americano original ameaçou fechar a fábrica, levando trabalhadores e gestores a se unirem para compra coletiva da empresa. Esse esforço extraordinário transformou o empreendimento na Tembec, uma companhia internacional de propriedade quebequense, até que foi vendida posteriormente para a RYAM em 2017.

Frank Dottori, engenheiro aposentado que liderou a mobilização dos anos 1970, reconhece que repetir tal feito hoje seria extraordinariamente desafiador. Ele enfatiza que seria necessário liderança tão carismática e ousada quanto a que prevaleceu anteriormente, além de apoio governamental significativo para suspender as tarifas de Trump ou fornecer subsídios financeiros.

Resposta governamental sob escrutínio

O governo federal canadense alocou C$ 400 milhões para apoiar o setor florestal em regiões rurais e remotas, conforme informado por porta-voz da ministra da Indústria, Mélanie Joly. Programas adicionais ajudam empresas afetadas pelas tarifas de Trump a obter capital de giro enquanto buscam reduzir dependência dos mercados americanos.

No entanto, críticos questionam se essas medidas são suficientes comparadas com os investimentos destinados a outros setores. Recentemente, o primeiro-ministro Mark Carney e o governador de Ontário anunciaram pacote de quase C$ 9 bilhões para siderurgia e automóvel, enquanto ameaçaram sanções à Stelco caso prosseguisse com demissões. O deputado Sébastien Lemire do Bloc Québécois expressa preocupação com a falta de ação comparable para o setor florestal de Quebec.

Dinâmica comercial subjacente

As tarifas de Trump refletem estratégia presidencial de proteger a indústria manufatureira americana e gerar empregos domésticos. Em agosto, os Estados Unidos impuseram 50% de tarifas sobre aproximadamente C$ 28 bilhões em produtos canadenses, aos quais o Canadá respondeu com tarifas retaliatórias equivalentes. Essa guerra comercial atingiu especialmente produtos de madeira, papel, celulose e derivados.

A fábrica de Témiscaming, dependente crucialmente do mercado americano para 75% de sua produção, tornou-se colateral dessa disputa comercial bilateral.

Esperança em eventos políticos futuros

Trabalhadores de Témiscaming depositam esperanças nas próximas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Acreditam que resultados eleitorais possam aumentar pressão sobre Trump, cujos índices de aprovação caem conforme pesquisas, para reduzir as tarifas impostas ao Canadá. Recentemente, houve suspensão de algumas tarifas sobre produtos canadenses após articulação da senadora republicana Susan Collins do Maine, embora as mudanças não beneficiem a produção de Témiscaming.

Ameaça do inverno canadense

Suley e colegas esperam resolução rápida antes da chegada do inverno severo. Temperaturas congelantes podem danificar equipamentos da fábrica paralisada, tornando reabertura futura mais difícil e custosa. Essa janela temporal adiciona urgência à situação.

Determinação comunitária para futuro viável

Apesar de desafios formidáveis, líderes comunitários e trabalhadores mantêm determinação. Stéphane Lefebvre invoca metáfora desportiva: estão no jogo sete e jogarão até o apito final. Cidadãos organizam-se para potencial recompra da fábrica, replicando estratégia histórica que salvou Témiscaming décadas atrás.

A situação de Témiscaming ilustra como decisões comerciais de níveis macro impactam comunidades micro, transformando vidas de trabalhadores e estruturas sociais estabelecidas. Enquanto negociações comerciais prosseguem e eleições americanas aproximam-se, a pequena cidade canadense aguarda soluções que determinarão sua sobrevivência ou desaparecimento.

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