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Câmara aprova lei que restringe recursos ao STJ por um ano

Câmara aprova projeto que limita recursos ao STJ e cria critérios de relevância para suspender processos por até um ano. Texto segue para sanção presidencial.

Câmara aprova lei que restringe recursos ao STJ por um ano
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/14/camara-aprova-projeto-que-limita-recursos-ao-stj-e-permite-suspensao-de-processos-relevantes-por-ate-1-ano.ghtml

Câmara aprova projeto que redefine critérios para recursos ao STJ

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (14) uma proposta legislativa que estabelece novas regras para a admissão de recursos ao STJ, instituindo critérios de relevância para as ações encaminhadas à instância superior. O projeto segue agora para análise e sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esta iniciativa representa uma transformação significativa na forma como recursos ao STJ serão processados, buscando otimizar o funcionamento do tribunal.

Suspensão de processos por período de até um ano

A proposta em questão autoriza magistrados relatores a suspenderem a tramitação de ações consideradas com "relevância" por um período de até doze meses. Essa suspensão abrange todos os processos em tramitação no país que envolvam a mesma controvérsia jurídica, permitindo que o tribunal decida sobre a questão de fundo antes que outras ações prossigam. O mecanismo viabiliza uma unificação de entendimento sobre temas similares.

Este sistema de suspensão assemelha-se àquele já utilizado no Supremo Tribunal Federal (STF) para recursos extraordinários. Porém, existe uma distinção fundamental entre os dois procedimentos. Enquanto no STF os recursos extraordinários analisam questões de natureza constitucional, no STJ os recursos especiais concentram-se em matérias infraconstitucionais, ou seja, questões que envolvem a interpretação de leis federais e infralegais.

Autoria e fundamentação legal do projeto

O projeto que impõe novas limitações para recursos ao STJ foi apresentado pelo presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP). A proposta atende a demandas formalizadas por ministros da corte superior e busca adequar o Código Civil a dispositivo constitucional incluído pela emenda de 2022. A iniciativa legislativa representa esforço conjunto entre poderes para modernizar os procedimentos recursais.

Critérios de relevância para admissão de recursos

Conforme estabelecido no texto legal, o STJ poderá recusar a admissão de recursos especiais quando considerar que a controvérsia apresentada não possui relevância econômica, política, social ou jurídica. Além disso, o tribunal poderá rejeitar recursos que se restrinjam exclusivamente aos interesses particulares das partes envolvidas na ação, sem repercussão mais ampla.

A responsabilidade de comprovar essa relevância recai sobre a parte que protocolou o recurso. O texto prevê que tal demonstração deve constar em tópico específico e devidamente fundamentado, oferecendo ao tribunal argumentação clara sobre por que o caso merece apreciação pela instância superior. Este procedimento visa concentrar os esforços do tribunal em questões de maior impacto.

Efeitos do reconhecimento ou recusa da relevância

O projeto estabelece que o reconhecimento ou a recusa da relevância pela corte produzirá efeitos vinculantes tanto nos processos em tramitação no STJ quanto naqueles em andamento nas instâncias inferiores. Isso significa que uma decisão sobre relevância em determinada questão influenciará o tratamento de todas as ações similares nos tribunais de origem.

O texto também prevê que a desistência de um recurso não impedirá o julgamento de questões cuja relevância já tenha sido reconhecida pelo tribunal. Essa disposição garante que temas identificados como relevantes continuem sendo apreciados, mesmo que a parte originária abandone sua ação específica.

Justificativa da aprovação segundo relatoria

O deputado Raniery Paulino (Republicanos-PB), relator responsável pelo projeto, afirmou que a regulamentação contribui para a racionalização da atividade recursal. Segundo sua avaliação, as mudanças permitirão que a corte concentre esforços nas questões de maior repercussão jurídica, social e econômica, em consonância com a vocação constitucional do tribunal de uniformizar a interpretação da legislação federal e funcionar plenamente como corte de precedentes.

Críticas da base governista à proposta

Apesar da aprovação em votação simbólica, deputados vinculados à base governista manifestaram preocupações significativas com o projeto. As federações PT-PCdoB-PV e PSOL/Rede se posicionaram contra a iniciativa, levantando questões sobre seus possíveis impactos no sistema judiciário.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) expressa que um elemento crítico da proposta funciona para restringir o acesso à justiça e a função constitucional do STJ. Em sua avaliação, o novo filtro de relevância pode prejudicar a democratização social dos efeitos derivados do acesso recursal. O parlamentar demonstra preocupação com consequências sociais da medida.

O líder do PSOL, Tarcísio Motta (PSOL-RJ), alertou para risco de que cidadãos fiquem à mercê de decisões proferidas em primeira e segunda instância sem possibilidade de recorrer ao tribunal superior. Motta caracteriza a medida como possível "filtro de classe", argumentando que poderia impedir que pessoas de menor poder econômico acessem a corte superior. Esta crítica concentra-se em potenciais desigualdades que o sistema de relevância poderia aprofundar.

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