Segundo o renomado geriatra brasileiro Alexandre Kalache, a vida sexual não tem prazo de validade e faz parte da velhice. Essa afirmação pode ser surpreendente para muitos, já que acreditamos que com o envelhecimento vem a diminuição ou até mesmo o fim da atividade sexual. Mas, de acordo com Kalache, essa é uma visão ultrapassada e que precisa ser desmistificada.
Kalache, que é presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR) e um dos maiores estudiosos do envelhecimento no mundo, defende que a sexualidade é uma dimensão humana que acompanha o indivíduo durante toda a sua vida. Não é algo que se esgota com a idade ou com a chegada de alguma doença crônica. Pelo contrário, a sexualidade é um aspecto importante para a saúde e o bem-estar na terceira idade.
Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, é cada vez mais comum vermos pessoas de idade avançada vivendo de forma ativa e saudável. E a sexualidade é parte integrante disso. Kalache ressalta que a sexualidade não é apenas a atividade sexual em si, mas engloba também a intimidade, o toque, o carinho e a cumplicidade entre o casal. E todas essas expressões podem ser vivenciadas independente da idade.
Pesquisas recentes mostram que a atividade sexual na terceira idade está mais presente do que imaginamos. Um estudo realizado pelo Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS, em parceria com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, revelou que 68% dos idosos entrevistados afirmaram ter vida sexual ativa. E dentre os que não a têm, 51,2% disseram não sentir falta ou ter desejo. Ou seja, a vida sexual na velhice não é obrigatória, mas é uma escolha individual.
É importante ressaltar que a sexualidade na terceira idade possui características próprias e que podem diferir da juventude. Com o envelhecimento, é natural que haja alterações no corpo e na resposta sexual. Mas Kalache enfatiza que isso não deve ser visto como um obstáculo, mas sim como uma oportunidade para descobrir novas formas de prazer e intimidade. A comunicação entre o casal é fundamental para que essas mudanças sejam compreendidas e aceitas.
Outro ponto importante é a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). É comum pensar que os idosos não precisam se preocupar com isso, mas a verdade é que a atividade sexual na terceira idade está crescendo e, consequentemente, aumenta o risco de contrair DSTs. Portanto, é essencial o uso de preservativos e a realização de exames periódicos.
Além disso, é necessário quebrar tabus e preconceitos em relação à sexualidade na velhice. É comum que os idosos se sintam desestimulados ou envergonhados de falar sobre o assunto com seus médicos ou com suas famílias. Mas é importante que profissionais de saúde e familiares estejam abertos ao diálogo e possam oferecer informações e orientações adequadas.
A mídia também desempenha um papel fundamental na construção de uma visão positiva sobre a sexualidade na terceira idade. É comum vermos na televisão ou na internet representações negativas e estereotipadas dos idosos, o que afeta diretamente a autoestima e a autoimagem dessas pessoas. É preciso que haja mais representatividade e diversidade na mídia, mostrando que a velhice não é sinônimo de assexualidade ou inatividade.
Em resumo, a sexualidade na terceira idade é uma real