Trump dispara contra Meloni e prevê saída de Starmer em postagens polêmicas
Donald Trump critica Giorgia Meloni e Keir Starmer em rede social, afirmando fracasso britânico em imigração e energia, enquanto cobra apoio italiano contra o Irã.

Trump intensifica ataques contra líderes europeus nas redes sociais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua plataforma na TruthSocial para disparar críticas contra dois importantes líderes europeus neste domingo. Trump critica Meloni e Starmer em mensagens que evidenciam o crescente atrito entre Washington e seus aliados tradicionais na Europa. As postagens marcam mais um episódio na série de confrontos que vêm caracterizando as relações internacionais sob a administração republicana.
Previsão de saída de Keir Starmer do cargo
Na primeira mensagem, Trump afirmou que o primeiro-ministro britânico Keir Starmer renunciará ao seu cargo. Segundo o presidente americano, Starmer "fracassou feio" em duas questões cruciais para o Reino Unido: imigração e energia. Trump enfatizou a necessidade de exploração de petróleo no Mar do Norte como solução para os problemas energéticos britânicos, demonstrando sua visão sobre as prioridades que deveria adotar o governo de Londres.
A mensagem reflete a estratégia de Trump de pressionar aliados sobre políticas específicas que considera inadequadas. O tom da crítica, contudo, gerou reações de surpresa entre analistas, que apontam para o padrão de intervenção direta do presidente americano em assuntos internos de países aliados.
Cobrança de apoio italiano contra ameaça nuclear iraniana
Horas após criticar Starmer, Trump direcionou seus ataques à primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. O presidente americano afirmou que a Itália e sua líder não demonstram disposição em se envolver no combate à "ameaça nuclear" do Irã, questão que considera gravíssima para a segurança global.
Na mensagem, Trump ressaltou os investimentos trilionários que os Estados Unidos fizeram na OTAN em defesa europeia, argumentando que a Europa deveria retribuir o compromisso americano. Ele criticou a falta de reciprocidade, afirmando: "Há décadas nós os defendemos, mas, quando colocados à prova, eles não estão lá para nos defender e ao resto do mundo." O tom das críticas evidencia a frustração crescente de Trump com a posição da Itália em relação às operações contra o Irã.
Contextualização do conflito Trump-Meloni
As postagens sobre Meloni vêm dias após a primeira-ministra italiana acusar Trump de inventar uma história sobre ela. O presidente havia afirmado em entrevista à TV La7 que a premiê "implorou" para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7, afirmação que Meloni negou categoricamente.
Durante a entrevista, Trump disse: "Ela me implorou para tirar uma foto com ela. Ela queria muito uma foto comigo. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena dela." Vídeos do evento mostraram Meloni e Trump em conversas durante o encontro, mas a interpretação de Trump foi rejeitada pela italiana, que respondeu publicamente sobre o incidente.
Resposta veemente de Meloni às acusações
Meloni afirmou estar "surpresa" com os comentários de Trump e garantiu que as declarações são "completamente inventadas". A primeira-ministra também repreendeu o presidente americano por sua postura diferenciada em relação a aliados e adversários do Ocidente.
"As declarações de Donald Trump são completamente inventadas. Estou francamente surpresa. Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta dessa maneira com seus aliados: além disso, não é a primeira vez. Só posso dizer que é decepcionante que ele não demonstre a mesma determinação com os inimigos do Ocidente e dos Estados Unidos, cujos líderes ele trata com muito mais indulgência," respondeu Meloni em comunicado oficial.
A premiê italiana enfatizou que "nem eu nem a Itália jamais imploramos", rebatendo diretamente a narrativa apresentada por Trump. Sua resposta encontrou apoio em setores do governo italiano, que viram as afirmações presidenciais como ofensivas.
Reações do governo italiano
O chanceler da Itália, Antonio Tajani, anunciou o cancelamento de uma viagem aos Estados Unidos prevista para a semana seguinte, que teria como objetivo reunião com o secretário de Estado americano Marco Rubio. Tajani condenou as "palavras graves e ofensivas do presidente Trump em relação à primeira-ministra Giorgia Meloni", afirmando que elas ofendiam toda a Itália.
Giovanbattista Fazzolari, subsecretário do gabinete de Meloni e um de seus aliados políticos mais próximos, também se pronunciou criticando a postura de Trump. Em comunicado, afirmou que com seus "rompantes inadequados", o presidente conseguiu "tornar os Estados Unidos impopulares em todo o continente europeu, prejudicando não apenas a Europa, mas sobretudo os Estados Unidos".
Histórico de tensões entre Trump e Meloni
O distanciamento entre Trump e Meloni não é recente. Em abril do ano anterior, a primeira-ministra criticou o presidente americano após ele chamar o papa Leão XIV de "fraco" por condenar a guerra no Irã. Meloni respondeu que considerava "inaceitáveis" as palavras de Trump em relação ao Santo Padre.
A resposta de Trump não tardou. Em entrevista ao jornal Corriere della Sera, o presidente afirmou estar "chocado" com a postura da líder italiana e questionou sua coragem, dizendo: "Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país."
Análise sobre motivações políticas internas
Segundo analistas ouvidos pelo The New York Times, Meloni pode ter aproveitado a crise com Trump para sinalizar ao eleitorado italiano um afastamento do presidente americano. Pesquisas indicam aumento da impopularidade de ambos entre eleitores italianos, sugerindo que um distanciamento poderia beneficiar politicamente a premiê no cenário doméstico.
Especialistas apontam que várias ações recentes de Meloni, como a recusa em renovar acordo de defesa com Israel e a condenação da guerra contra o Irã, podem estar vinculadas mais a cálculos políticos internos do que a mudanças estratégicas genuínas nas relações internacionais.
Posicionamento oficial de ambos os lados
Enquanto isso, o ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, buscou minimizar o impacto da controvérsia, afirmando que as relações entre Estados Unidos e Itália não serão abaladas pela crise pessoal entre os líderes. Segundo Urso, os dois países permanecem aliados dentro da Aliança Atlântica e das instituições internacionais.
Trump, por sua vez, insistiu que a relação se deteriorou, afirmando em entrevista à Fox News: "Ela tem sido negativa. Qualquer um que se recusou a nos ajudar nessa questão do Irã não tem mais o mesmo relacionamento conosco."
Perspectiva de especialistas em relações internacionais
Mariangela Zappia, ex-embaixadora da Itália nos Estados Unidos, ofereceu uma perspectiva diferente, afirmando que a crise pessoal entre Meloni e Trump não deve afetar fundamentalmente as relações entre os dois países. Segundo a ex-diplomata, Trump tem agido de forma impulsiva após se frustrar com a Europa em questões relacionadas ao Irã.
"A Europa considera absolutamente os Estados Unidos um aliado histórico, mas, de certa forma, quer participar das decisões que são tomadas", explicou Zappia à Associated Press, sugerindo que as críticas europeias refletem desejo de maior consulta prévia em operações estratégicas.
