Museu Murilo Mendes obtém certificação oficial do Ibram
O Museu de Arte Murilo Mendes, da UFJF em Juiz de Fora, recebe certificação oficial do Ibram e integra lista de museus registrados no Brasil.

Museu Murilo Mendes recebe selo oficial do Instituto Brasileiro de Museus
O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), conquistou oficialmente a certificação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Após três anos de processo de documentação e análise institucional, a instituição recebeu o selo "Museu Registrado" em junho, consolidando seu reconhecimento como espaço museológico de excelência e profissionalismo.
Com 13 anos de trajetória, o Mamm integra um seleto grupo de instituições certificadas. Em todo o território nacional, apenas 172 museus obtiveram este reconhecimento. Em Minas Gerais, o número é ainda mais reduzido: apenas 31 instituições possuem o certificação oficial do Ibram, dentre as 427 existentes no estado.
Significado da certificação para o museu
Segundo Ricardo Cristófaro, diretor do Mamm, a obtenção do selo representa muito mais que um simples reconhecimento administrativo. "Possuir o selo 'Museu Registrado' nos dá um certo status. Nem todo espaço museológico tem este reconhecimento por parte do governo federal. Isso nos diferencia e habilita a participar de editais para captar recursos e parcerias em programas nacionais e internacionais, além de intercâmbio de exposições", explicou em entrevista.
A certificação funciona como uma chancela de credibilidade institucional que abre portas para oportunidades de colaboração e financiamento. Museus registrados no Ibram ganham visibilidade tanto em plataformas nacionais quanto internacionais, facilitando o acesso a redes de cooperação cultural.
Impacto na gestão e profissionalização
A certificação também valida a profissionalização da gestão do museu. O processo exigiu que a instituição apresentasse documentação comprobatória sobre sua missão, acervo, importância cultural, conselho curador, diretoria eleita e plano museológico trienal. Estes critérios garantem que a instituição opera conforme padrões internacionais de qualidade.
Contextualização da profissionalização museológica no Brasil
Para compreender a relevância desta certificação, é necessário entender o panorama da profissionalização do setor museológico brasileiro. Cristófaro explicou que, antes de 2009, qualquer coleção ou espaço poderia receber a nomenclatura de museu sem critérios objetivos. "Quando o Mamm foi criado, utilizou a prerrogativa de atribuir a qualquer coleção museológica e espaço a nomenclatura de museu.", destacou o diretor.
A criação do Ibram em 2009 marcou um ponto de inflexão. Com a instituição da Lei nº 11.904 e posteriores regulamentações, o governo federal estabeleceu normas claras sobre o que constitui um museu e o que se configura como espaço de interesse cultural. Desde então, o Ibram trabalha na profissionalização da gestão, organização de recursos humanos, levantamento de riscos, catalogação de acervos e sistematização do setor.
Um exemplo citado pelo diretor é o Memorial Itamar Franco, localizado nas proximidades do Mamm. Apesar de possuir acervo relevante, não recebe a classificação de museu, sendo designado como espaço de interesse cultural por não atender completamente aos critérios estabelecidos.
Jornada para obtenção do certificado
O processo de certificação do Mamm iniciou em 2017, sob liderança da museóloga Raquel Barbosa e do restaurador Aloísio Arnaldo de Castro. A instituição submeteu toda a documentação exigida, abrindo formalmente o processo em setembro de 2017. Durante meses, a equipe respondeu a interpelações e solicitações adicionais de informações do Ibram.
"Enviamos a documentação exigida, abrimos o processo em setembro de 2017, recebemos mais interpelações e pedidos, que respondemos. Analisaram nossa missão, acervo, importância, conselho curador, diretoria eleita, plano museológico trienal e agora fomos credenciados", resumiu Cristófaro o trajeto percorrido.
Acervo e missão do Museu Murilo Mendes
Inaugurado em 2005, o Mamm abriga um importante acervo bibliográfico e de artes visuais do poeta juiz-forano Murilo Mendes. Além de preservar seu legado, a instituição desenvolve intensa programação cultural, educativa e de acesso gratuito, visando manter viva a herança muriliana.
As dependências do museu hospedam múltiplas bibliotecas especializadas, incluindo a Biblioteca e Hemeroteca Dormevilly Nóbrega, a biblioteca da escritora Cleonice Rainho, acervos da família Cosette de Alencar, do arquiteto Arthur Arcuri, do artista plástico João Guimarães Vieira e da autora Maria de Lourdes de Oliveira.
O acervo é dividido em duas categorias: o acervo de origem, contendo materiais bibliográficos e pinacoteca de artes visuais de Murilo Mendes, e o acervo expandido, que reúne livros sobre literatura, artes visuais, arquitetura, além de obras de arte moderna e contemporânea brasileira e produções artísticas juiz-foranas.
Programação e acessibilidade
A instituição mantém acesso gratuito à população. O horário de visitação funciona de terça a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h. Atualmente, o museu apresenta exposições focadas em seu acervo interno, incluindo mostras dedicadas à arte brasileira, técnicas de gravura na Coleção Murilo Mendes e obras do artista Farnese de Andrade.
Desde abril deste ano, a instituição retomou o Projeto Coletivo Cultural, disponibilizando transporte por ônibus para estudantes de instituições públicas de Juiz de Fora visitarem o museu. Informações sobre programação podem ser obtidas na página oficial e nos perfis do Mamm no Facebook e Instagram.
O selo "Museu Registrado" do Ibram
O Instituto Brasileiro de Museus regulamenta o processo de certificação através da Lei nº 11.904 de 2009 e do Decreto nº 8.124 de 2013. O objetivo da iniciativa é estimular a formalização dos museus e acompanhar dinâmicas de criação, fusão, incorporação, cisão ou extinção de instituições museológicas em todo o país.
Requisitos e benefícios da certificação
Para solicitar o registro desde janeiro de 2017, as instituições devem: preencher e assinar o Formulário de Solicitação de Registro, fotocopiar documentos solicitados e entregar a documentação para o Ibram ou entidade registradora local. Os benefícios incluem aumento de visibilidade em plataformas nacionais como MuseusBr e internacionais como o Registro de Museus Ibero-americano (RMI).
A certificação facilita o compartilhamento de informações sobre os museus com a sociedade, auxilia órgãos governamentais na formulação de políticas públicas para o setor, facilita adesão ao Sistema Brasileiro de Museus, permite exercer direito de preferência em Declarações de Interesse Público e habilita a participação em editais de fomento que exijam reconhecimento oficial.
