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Morre Ramiro Valdés, lendário comandante cubano, aos 94 anos

Ramiro Valdés, histórico comandante da Revolução Cubana e ex-vice-presidente, falece aos 94 anos. Conheça a trajetória do herói revolucionário próximo a Fidel Castro.

Morre Ramiro Valdés, lendário comandante cubano, aos 94 anos
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/21/morre-ramiro-valdes-revolucionario-cuba.ghtml

Fallecimento do Legendário Ramiro Valdés

Ramiro Valdés, renomado comandante cubano e figura emblemática da Revolução Cubana, faleceu aos 94 anos, conforme anunciado neste domingo (21) pelo presidente Miguel Díaz-Canel. O comandante cubano, que dedicou sua vida à causa revolucionária desde seus primeiros passos ao lado de Fidel Castro, deixa um legado profundo na história política de Cuba.

Em mensagem divulgada nas redes sociais, Díaz-Canel expressou profundo pesar pela perda, comparando-a à morte de um pai. O presidente cubano encerrou sua manifestação com a emblemática frase revolucionária: "Até a vitória, sempre, comandante!" Porém, a causa específica do falecimento não foi revelada pelas autoridades governamentais.

Uma Trajetória Revolucionária Notável

Valdés consolidou-se como um dos principais comandantes da Revolução Cubana ao lado de Fidel Castro, mantendo participação ativa na administração pública cubana por mais de seis décadas. Reconhecido pelo Estado cubano com títulos honorários de "Herói da República" e "Comandante da Revolução", Valdés integrou o influente Bureau Político do Partido Comunista de Cuba até o ano de 2019.

Sua carreira política foi marcada por diversas responsabilidades estratégicas. Entre 2009 e 2019, exerceu o cargo de vice-presidente da nação caribeña, precedido por outras importantes posições, incluindo ministro do Interior, vice-ministro da Defesa e ministro da Informação e Comunicações. Nos últimos anos de sua vida, atuava como vice-primeiro-ministro do país.

Os Primeiros Passos na Revolução

Nascido em 28 de abril de 1932, Ramiro Valdés tinha apenas 21 anos quando participou do histórico ataque ao quartel de Moncada, evento que marcou o início da revolta de 1953 contra o governo autoritário de Fulgencio Batista. Este episódio representou o ponto de partida para a transformação política que mudaria Cuba e toda a região caribenha.

Após ser exilado no México junto com Castro, Valdés integrou um seleto grupo de 82 homens que navegaram a bordo do iate Granma em direção a Cuba no ano de 1956, visando reiniciar a insurreição contra Batista. Sua coragem e determinação destacaram-se pelo fato de que apenas 12 dos 82 expedicionários conseguiram sobreviver aos combates iniciais.

Na Serra Maestra e Além

Ao lado dos irmãos Castro, Valdés estabeleceu-se nas montanhas da Sierra Maestra, localizada no leste cubano, onde atuou como vice-comandante de Ernesto "Che" Guevara, o revolucionário argentino que se tornaria símbolo mundial da luta revolucionária. Nos momentos finais antes da queda do regime de Batista, Valdés participou ativamente da Batalha de Santa Clara, enfrentamento decisivo que precipitou a fuga de Batista do país em 1º de janeiro de 1959.

Após a vitória revolucionária, Valdés assumiu a direção da agência de segurança criada para consolidar o novo regime. Sua proximidade com os líderes revolucionários e seu carisma pessoal fizeram dele uma figura reconhecível no cenário político cubano, frequentemente visto vestindo o uniforme verde-oliva que se tornou emblema dos revolucionários.

Presença Contínua na Política Contemporânea

Mesmo em seus últimos anos de vida, Ramiro Valdés permanecia ativamente envolvido nas questões relacionadas aos problemas energéticos de Cuba, que enfrentava crises recorrentes de abastecimento de eletricidade. Frequentemente aparecia ao lado do presidente Díaz-Canel, uniformizado, participando de campanhas para conscientizar a população sobre a necessidade de reduzir o consumo energético e manter o compromisso com os ideais revolucionários.

Valdés cultivava uma rigorosa disciplina física, mantendo rotina de exercícios até alcançar os 80 anos de idade. Sua aparência externa também se manteve consistente com sua identidade revolucionária, preservando o cavanhaque no estilo Leon Trótski que adotara desde os primórdios da insurreição.

Lealdade Inabalável aos Princípios Revolucionários

Ao longo de todas as fases de seu envolvimento político, Valdés demonstrou lealdade inquestionável à revolução, a seus líderes e ao modelo de partido único adotado por Cuba, inclusive durante os períodos mais desafiadores enfrentados pela ilha caribenha. Sua convicção na causa revolucionária permaneceu firme e constante.

Em discurso proferido durante as celebrações do 61º aniversário do ataque ao quartel de Moncada em 2014, Valdés enfatizou a importância fundamental da unidade popular como fator determinante para os êxitos revolucionários alcançados. Recordou que a confiança na revolução havia sido essencial para as conquistas históricas, ressaltando a necessidade contínua de preservar essa coesão como fundamento para as batalhas futuras que ainda permaneciam não resolvidas.

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