Macklemore doa US$ 1 milhão para ONGs palestinas após saída de turnê
Macklemore anuncia doação de US$ 1 milhão para organizações pró-Palestina após ser removido da turnê de Ed Sheeran. Confira os detalhes do caso.

Macklemore doa US$ 1 milhão para ONGs palestinas
O rapper norte-americano Macklemore divulgou na quarta-feira (16) sua decisão de transferir todo o cachês recebido como artista convidado da turnê de Ed Sheeran para organizações que atuam no auxílio ao povo palestino. A doação somará US$ 1 milhão, equivalente a aproximadamente R$ 5,1 milhões na cotação atual, e será dividida entre seis entidades dedicadas à causa palestina.
Contexto da expulsão do rapper da turnê
Macklemore integrava o line-up como atração de abertura na turnê "Loop" pelos Estados Unidos. No dia 4 de setembro, durante sua apresentação no MetLife Stadium, localizado em Nova Jersey, o artista manifestou apoio à Palestina ao gritar "Free Palestine" (Palestina Livre). Conforme relatos da imprensa internacional, Macklemore afirmou que desejava que populações de Gaza e Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas.
A manifestação gerou uma petição formal do Conselho Israelense-Americano solicitando a exclusão do rapper das apresentações restantes. A Messina Touring Group, empresa responsável pela promoção da turnê nos EUA, comunicou à revista Rolling Stone que Macklemore não participaria dos shows seguintes.
Explicações da promotora e impacto nas apresentações
Em comunicado oficial, a Messina Touring Group esclareceu os motivos da decisão: as cidades que sediariam as próximas datas da turnê de Ed Sheeran informaram que não permitiriam a realização dos espetáculos com Macklemore no cartaz. A produtora argumentou que manter o rapper resultaria no cancelamento completo dos shows, afetando centenas de milhares de fãs. Após negociações entre as partes envolvidas, decidiu-se pela retirada de Macklemore como atração de apoio nas datas remanescentes.
O rapper estava escalado para abrir oito dos dez shows restantes da turnê pelos EUA, com retomada prevista para 19 de setembro na Filadélfia. Cidades como Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa contaram entre aquelas cujos locais de apresentação se posicionaram contra o retorno de Macklemore aos palcos.
Manifesto de Macklemore no Instagram
Em comunicado divulgado nas redes sociais, Macklemore reafirmou seus posicionamentos sobre a questão palestina. O artista ressaltou que sua vida e a de seus pares não possuem maior valor do que qualquer outra existência no planeta, centralizando o debate sobre os direitos dos palestinos à liberdade, dignidade e segurança em sua terra natal.
No mesmo comunicado, Macklemore se recusou a aceitar o rótulo de vítima, destacando que artistas como ele possuem carreiras consolidadas, segurança financeira e plataformas globais. Segundo o rapper, as verdadeiras vítimas seriam os palestinos, que enfrentam consequências devastadoras. O artista também estendeu um convite ao empresário Robert Kraft para contribuir com doações para as organizações pró-Palestina.
Reações de Ed Sheeran e declarações públicas
Ed Sheeran respondeu às acusações através de um comunicado na segunda-feira (14). O cantor britânico enfatizou que a decisão de remover Macklemore partiu exclusivamente da Messina Touring Group, posicionando-se como não cúmplice das ações. Sheeran reconheceu possuir visões pessoais sobre o conflito, mas explicou sua escolha de não expressa-las publicamente.
Êxodo de artistas da turnê Loop
A situação intensificou-se quando outros artistas de abertura anunciaram suas saídas. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga comunicaram na terça-feira (15) que não abririam mais os shows de Ed Sheeran. Com esses cancelamentos, Sheeran perdeu completamente seu elenco de atrações de abertura para toda a série de concertos, cujas datas se estendem até 11 de dezembro.
Finneas, que estava escalado para abrir os shows em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro, publicou em suas redes sociais: "Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão". Lukas Graham argumentou: "Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira".
Aaron Rowe citou a história irlandesa ao afirmar: "Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta". A banda Beoga, que além de abrir shows também se apresentava ao lado de Sheeran em trechos de repertório influenciados pela música tradicional irlandesa, divulgou: "Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser".
Dados sobre o conflito na Faixa de Gaza
Um comitê de investigação contratado pela Organização das Nações Unidas (ONU) publicou em junho um relatório apontando que Israel havia direcionado deliberadamente seus ataques contra crianças na Faixa de Gaza. De acordo com a comissão investigadora, essas práticas configuram genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra segundo a legislação internacional.
O relatório da comissão da ONU revelou ainda que aproximadamente 30% do total de 73 mil mortos registrados na guerra em Gaza eram crianças, totalizando pouco mais de 20 mil menores de idade. Esses números alimentam o debate internacional sobre a situação humanitária na região e justificam, para muitos artistas, a necessidade de se pronunciarem sobre o assunto.
Repercussões futuras da turnê
A situação permanece em desenvolvimento, com Ed Sheeran ainda sem comentar publicamente sobre a saída dos demais artistas da turnê. A série de cancelamentos representa um momento significativo na indústria musical, evidenciando o crescente engajamento de artistas em questões geopolíticas e humanitárias internacionais, bem como as pressões comerciais e políticas que atuam sobre produções de grande escala.
