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Indústria audiovisual das Américas debate futuro em cúpula

AIR celebra 80 anos reunindo radiodifusoras e produtoras em Santo Domingo para discutir desafios da indústria audiovisual nas Américas e inovação tecnológica.

Indústria audiovisual das Américas debate futuro em cúpula
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Cúpula da Indústria Audiovisual reúne líderes em Santo Domingo

Representantes de emissoras de rádio e televisão, produtoras de conteúdo e operadoras de TV paga participam da Cúpula da Indústria Audiovisual das Américas, realizada na capital dominicana. O evento de dois dias marca os 80 anos de atuação da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR), que representa 17 mil emissoras comerciais de rádio e TV nas regiões norte, central e sul americana. A indústria audiovisual das Américas enfrenta transformações profundas que exigem estratégias coordenadas entre os países.

A Associação Internacional de Radiodifusão, desde sua fundação em 1946, consolidou-se como principal representante dos interesses da radiodifusão livre, privada e independente no continente. Atualmente, a entidade é presidida por Paulo Tonet Camargo, que também atua como vice-presidente institucional da ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, reafirmando a relevância brasileira na indústria audiovisual das Américas.

Temas Centrais da Discussão

Entre os principais assuntos em pauta estão a evolução da televisão conectada, o papel estratégico da TV aberta diante do consumo crescente de conteúdo via dispositivos móveis e métricas de audiência adaptadas ao ecossistema multiplataforma. Igualmente importantes são o debate sobre proteção de direitos autorais na era digital, o combate à pirataria de conteúdos e a aplicação responsável da inteligência artificial nos processos produtivos.

Paulo Tonet Camargo enfatiza que o encontro evidencia o compromisso coletivo da indústria com a inovação: "O encontro mostra a disposição da indústria de olhar para o futuro, e olhar para o futuro com uma nova concepção". Ele destaca três pilares fundamentais que sustentam a visão estratégica da AIR para os próximos anos.

Os Três Pilares Estratégicos da AIR

A primeira base é a liberdade de expressão, considerada essencial para a existência e atuação da radiodifusão nas democracias americanas. O segundo pilar envolve a responsabilidade editorial e profissional no tratamento de conteúdos informativos e de entretenimento. O terceiro elemento é a sustentabilidade econômica e operacional, reconhecendo que apenas organizações sólidas financeiramente conseguem cumprir suas funções sociais.

"A AIR assenta o seu futuro em três bases: liberdade, porque a liberdade de expressão é a nossa base de existência; responsabilidade, porque temos responsabilidade sobre os conteúdos de informação e entretenimento que distribuímos; e sustentabilidade, porque a indústria, para poder fornecer tudo isso às sociedades onde trabalhamos, precisa ser sustentável", afirma Camargo.

Importância da Coordenação Continental

Flávio Lara Resende, vice-presidente jurídico da AIR e também vice-presidente institucional da ABERT, sublinha que a ação coordenada entre países é incontornável para enfrentar desafios atuais. Segundo ele, decisões isoladas de empresas ou nações mostram-se insuficientes diante da complexidade das transformações tecnológicas e das ameaças comuns.

"Reunir as três Américas para discutir os grandes temas da indústria audiovisual é realmente importante, porque a adoção de modelos tecnológicos de métricas de audiência, de proeminência e de combate à pirataria é algo que precisamos fazer de maneira continental. Nenhum país, nenhuma empresa, consegue fazer isso isoladamente", destaca Tonet Camargo.

Liderança Brasileira no Setor

Brasil se afirma como produtor de excelência em conteúdo audiovisual nas três Américas, especialmente em jornalismo e entretenimento. Flávio Lara Resende reconhece essa posição singular: "É extremamente importante porque o Brasil lidera nas três Américas a produção de conteúdo jornalístico e de entretenimento, seja no rádio, seja na televisão. Então, você reunir aqui radiodifusores de diversos países é extremamente importante para que a gente possa ter uma definição do que será o futuro da radiofusão nas três Américas, principalmente na televisão aberta".

Oito Décadas de Defesa da Radiodifusão

A Associação Internacional de Radiodifusão marca seus 80 anos reafirmando seu compromisso histórico com a liberdade de expressão e a pluralidade dos meios de comunicação. Desde sua fundação em 1946, a organização acompanhou transformações tecnológicas, sociais e econômicas de grande magnitude, sempre defendendo princípios fundamentais como independência editorial e segurança jurídica.

As mudanças contemporâneas, porém, colocam novos desafios à frente da indústria audiovisual das Américas. A aceleração tecnológica, o surgimento de novas plataformas digitais globais, o desenvolvimento da inteligência artificial, a proliferação de conteúdo pirateado e as pressões sobre sustentabilidade financeira configuram um cenário radicalmente diferente daquele enfrentado por gerações anteriores de radiodifusores.

Compromisso Renovado com o Futuro

A AIR renova seu compromisso institucional de representar adequadamente a radiodifusão e promover as condições necessárias para que emissoras e criadores de conteúdo continuem inovando e crescendo. A organização reconhece que apenas através da colaboração internacional e da adoção de padrões comuns será possível manter a relevância e a viabilidade da radiodifusão comercial nas próximas décadas.

"A acelerada transformação tecnológica, as novas formas de produção e distribuição de conteúdos, o desenvolvimento da IA, a concorrência das grandes plataformas digitais, a pirataria e os desafios para a sustentabilidade dos meios de comunicação configuram um cenário profundamente diferente", reconhece a AIR em comunicado oficial.

O evento em Santo Domingo reafirma que o futuro da indústria audiovisual das Américas dependerá da capacidade coletiva de se reinventar, mantendo valores essenciais como liberdade, pluralismo e compromisso com a informação de qualidade, enquanto se adapta aos novos ecossistemas tecnológicos e às expectativas mutáveis das audiências contemporâneas.

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