IBM enfrenta maior queda desde 1972 após IA
CEO da IBM reconhece falha na adaptação à IA. Ações caem 25%, a maior desvalorização desde 1972. Empresa perde US$ 68 bilhões em valor de mercado.

IBM sofre maior desvalorização em cinco décadas
A IBM enfrentou uma reação severa do mercado financeiro após divulgar uma comunicação aos investidores na qual o CEO Arvind Krishna reconheceu que a companhia não conseguiu se adaptar rapidamente o suficiente a uma transformação inesperada no comportamento de seus clientes. A IBM IA revelou-se como fator determinante para essa mudança estratégica do mercado, impactando significativamente os resultados da organização.
Após a publicação do documento, as ações da empresa fecharam em queda de 25%, marcando a maior desvalorização registrada desde 1972, conforme informou o jornal Financial Times. Com esse movimento, a IBM perdeu aproximadamente US$ 68 bilhões (R$ 346,12 bilhões) em valor de mercado, segundo dados da consultoria Elos Ayta.
Resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre
Na correspondência aos investidores, Krishna informou que o resultado do segundo trimestre de 2026 — a ser divulgado na quarta-feira seguinte — ficaria abaixo das projeções da empresa, particularmente no desempenho da divisão de infraestrutura. Esse segmento experimentou uma redução de receita de 7%, impulsionada por dificuldades nos negócios ligados aos sistemas Z, os históricos mainframes (computadores de grande porte) que constituem a base tradicional da IBM, além dos programas relacionados a esses equipamentos, especialmente em processamento de transações.
O executivo expressou arrependimento pela performance, afirmando: "Essas condições exigiam que nossas equipes executassem perfeitamente, e neste trimestre falhamos. Não nos adaptamos e não nos movemos rápido o suficiente". Conforme relatado, numerosos grandes contratos deixaram de ser finalizados nos intervalos previstos, o que representou o principal componente do impacto desfavorável nos resultados.
Mudança nas prioridades de investimento dos clientes
De acordo com a análise da IBM, a origem da dificuldade residiu em uma alteração acelerada na estratégia de alocação de capital dos seus clientes. Nas últimas semanas de junho, organizações começaram a concentrar suas despesas de capital na aquisição de servidores, soluções de armazenamento e memória, objetivando assegurar equipamentos diante de possíveis limitações de fornecimento e elevações de custos.
A companhia mencionou que já antecipava algum efeito associado à cadeia de abastecimento, porém não havia previsto a magnitude dessa transformação nas prioridades dos compradores. À medida que organizações de diversos segmentos intensificaram seus investimentos em IA, cresceu a demanda por uma estrutura de TI adequada para suportar essa tecnologia emergente.
Reconfiguração dos orçamentos tecnológicos
Precisamente esse movimento transformou as prioridades de investimento dos clientes corporativos da IBM: em lugar de respeitarem o calendário esperado para certas aquisições convencionais da organização, eles realocaram componentes significativos do orçamento para garantir equipamentos de processamento antes de eventuais restrições de oferta e aumentos tarifários. Esse redirecionamento reflete a urgência das empresas em preparar sua infraestrutura para as demandas impostas pela IA.
Desempenho divergente nas áreas de infraestrutura
Os números da IBM revelaram um cenário contraditório no segmento de infraestrutura. Apesar da queda de 7% nos pesados e antigos mainframes Z, segmento mais tradicional de sua atuação, outra área demonstrou crescimento expressivo. A infraestrutura distribuída — que compreende servidores, armazenamento e soluções direcionadas a ambientes tecnológicos mais atualizados — alcançou o melhor desempenho histórico da organização, com expansão de 37% durante o trimestre.
Esse crescimento robusto na infraestrutura distribuída sugere que, enquanto a empresa enfrenta desafios na tecnologia legada, sua oferta moderna está capturando adequadamente a demanda emergente impulsionada pela adoção em larga escala de soluções de IA pelas empresas globalmente.
Confiança na estratégia de longo prazo
Apesar do reconhecimento público da falha operacional, o CEO declarou que o resultado não prejudica a confiança da IBM em sua estratégia de longo prazo. Krishna ressaltou: "Nosso trabalho é ajudar nossos clientes a atravessar períodos de incerteza e encontrar caminhos para crescer seus negócios, independentemente do que esteja acontecendo no ambiente externo".
A corporação também enfatizou progressos substanciais em inteligência artificial e computação quântica como pilares fundamentais de sua visão futura. A IBM apresentou a iniciativa Lightwell, um programa de investimento de US$ 5 bilhões (R$ 25,45 bilhões) destinado a aplicar capacidades avançadas de IA para estabelecer uma plataforma de confiança no gerenciamento de vulnerabilidades em programas de código aberto, envolvendo mais de 20 mil engenheiros e adoção inicial por grandes instituições do setor financeiro.
Investimentos em tecnologias emergentes
No domínio da computação quântica, a organização declarou sua intenção de alocar mais de US$ 10 bilhões (R$ 50,9 bilhões) durante os próximos cinco anos em atividades de pesquisa, desenvolvimento, produção, aquisições corporativas e expansão de seu ecossistema tecnológico. A IBM reafirmou seu compromisso de disponibilizar o primeiro computador quântico de larga escala tolerante a falhas até o ano de 2029.
Análise dos resultados financeiros do trimestre
Durante o período em questão, a IBM registrou receita total de US$ 17,2 bilhões (R$ 87,54 bilhões), representando um incremento de 1% na comparação com o período anterior do ano anterior. A divisão dedicada a software expandiu 5%, enquanto o setor de consultoria manteve-se praticamente equilibrado. O lucro por ação ajustado apresentou elevação de 5%, atingindo US$ 2,93 (R$ 14,91), contudo o desempenho insatisfatório da infraestrutura provocou a revisão da avaliação dos investidores acerca da velocidade de adequação da companhia ao novo padrão de investimentos em tecnologia.
