Fux agenda nova audiência sobre empréstimo bilionário do BRB
Ministro Luiz Fux marca audiência para 13 de julho sobre empréstimo de R$ 6,6 bilhões do BRB. Crédito permanece travado entre União, governo do DF e consórcio bancário.

Nova data marcada para negociações do empréstimo bilionário
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para 13 de julho uma audiência de conciliação que visa destravar o empréstimo BRB de R$ 6,6 bilhões. A decisão foi comunicada na quarta-feira (5) e responde às reclamações do governo do Distrito Federal sobre a paralisação das negociações entre a União, o Banco de Brasília e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Acusações de inércia nas negociações
O governo do DF argumenta que existe "inércia" tanto da União quanto do FGC no cumprimento do acordo que foi homologado em maio. Conforme a reclamação protocolada no STF: "Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais".
A urgência reflete a necessidade de o governo do DF, na qualidade de acionista controlador, sanear rapidamente o patrimônio danificado do banco pelos problemas operacionais dos últimos anos.
Quem participará da audiência sobre o empréstimo BRB
Conforme determinado pelo ministro Fux, a audiência contará com a presença de representantes de várias instituições: governo do DF, BRB, Advocacia-Geral da União, Ministério da Fazenda, Banco Central, FGC e Ministério Público Federal. Também será convocado o Banco do Brasil, que integra o consórcio de instituições financeiras analisando a viabilidade do crédito de até R$ 6,6 bilhões.
O rombo deixado pelas operações com o Banco Master
A atual crise do Banco de Brasília originou-se das transações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que totalizaram R$ 30 bilhões conforme dados da própria instituição. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, apontando um suposto esquema de fraudes financeiras em larga escala, envolvendo boa parte dessas operações.
Investigações posteriores levaram à prisão do ex-presidente Paulo Henrique Costa em abril deste ano. A PF sustenta que ele teria autorizado negócios com a Master sem lastro adequado e sem respeitar as práticas corretas de governança corporativa. O empréstimo BRB surge justamente como solução para reparar os danos causados por essas operações fraudulentas.
Dimensão real do prejuízo bancário
O Banco de Brasília estima que aproximadamente R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Master representam títulos inexistentes, fraudados ou com recuperação extremamente difícil - o que o setor chama de "crédito podre". Este montante representa um potencial rombo significativo no patrimônio da instituição.
O governo do DF acredita ser possível recuperar R$ 2,2 bilhões através de outras medidas e iniciativas judiciais contra ex-gestores e sócios do Master. Porém, os R$ 6,6 bilhões restantes demandam o empréstimo BRB que permanece paralisado nas negociações entre as partes.
Plano de capitalização que ainda não saiu do papel
Em fevereiro deste ano, o Banco de Brasília apresentou ao Banco Central um "plano de capital preventivo" com diversas medidas para reforçar o patrimônio da instituição. O documento estabelecia um prazo de 180 dias para execução, que expirou justamente na quarta-feira (5). No entanto, as ações de maior impacto ainda não foram implementadas efetivamente.
O plano incluía várias iniciativas: o empréstimo BRB de até R$ 6,6 bilhões junto a consórcio bancário, um acordo com fundo de investimento para negociar R$ 15 bilhões em ativos do Master, ações contra ex-gestores e a ampliação do capital social. Apesar disso, a execução permanece incompleta.
Medidas parcialmente implementadas
Desde fevereiro, o Banco de Brasília anunciou algumas ações para mitigar prejuízos: responsabilização cível de pelo menos 12 ex-gestores (que pode resultar em indenizações), bloqueio de bens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outros sócios, e aprovação em assembleia da ampliação do capital social para absorver novas injeções de recursos.
Contudo, como a instituição não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, não consegue demonstrar o impacto real dessas medidas nem informar quanto ainda falta para recompor o patrimônio prejudicado pelas fraudes.
Acordo com Quadra Capital desfeito
Um dos componentes do plano de recuperação - o acordo com o fundo Quadra Capital para negociar ativos do Master - foi desfeito em junho, conforme anteriormente reportado. Isso deixou ainda maior dependência do empréstimo BRB como peça central da estratégia de capitalização.
O plano preventivo de capital permanece sob sigilo até o momento, impossibilitando conhecimento público sobre exatamente quais medidas foram previstas e qual seu grau de implementação. A audiência marcada para 13 de julho pode ser determinante para desbloquear as negociações e permitir que o empréstimo BRB finalmente avance.
