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Durigan nega avaliação de propostas para reduzir juros

Ministro da Fazenda Dario Durigan nega que estejam em avaliação propostas para reduzir juros da Selic ou queimar reservas cambiais no governo Lula.

Durigan nega avaliação de propostas para reduzir juros
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Ministro nega avaliação de propostas para reduzir juros

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou nesta segunda-feira que o governo esteja avaliando medidas para reduzir juros da taxa Selic ou queimar reservas cambiais como forma de compensar possíveis saídas de capital do Brasil. A declaração surge após rumores sobre um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o economista André Lara Resende, defensor de mudanças na política monetária.

Clarificação sobre encontro com economista

Durigan enfatizou que não há agenda confirmada entre Lula e André Lara Resende, contrariando informações divulgadas pela imprensa. Segundo o ministro, embora vários economistas estejam disponíveis para diálogos com o presidente e com Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), nenhuma reunião foi oficialmente marcada.

"Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente [Lula] e com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende", explicou o titular da pasta.

Posicionamento de Mercadante

Aloizio Mercadante, aliado histórico do presidente, também se manifestou sobre o assunto, negando que existam propostas para reduzir juros em discussão no governo. O presidente do BNDES reafirmou que tais medidas nunca fizeram parte do programa de campanha de Lula e não integram a agenda governamental atual.

"Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo. Vamos aguardar o presidente definir a equipe econômica", declarou Mercadante ao comentar a situação. O dirigente ressaltou que a campanha eleitoral encerrou e que agora compete ao presidente estabelecer as prioridades econômicas.

Mercadante também reforçou o compromisso histórico do governo Lula com a transparência e a previsibilidade das decisões econômicas, afirmando que a próxima equipe será responsável por construir os diálogos e estabelecer diretrizes para a política financeira do país.

Cronograma para discussões econômicas

De acordo com Mercadante, o presidente Lula iniciará discussões sobre o próximo período de seu mandato a partir de terça-feira. Antes disso, o presidente passou os últimos dias descansando no Palácio da Alvorada e na Residência Oficial na Granja do Torto para recuperar-se após a vitória eleitoral contra Flávio Bolsonaro.

A proposta de André Lara Resende

André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real, publicou em setembro um artigo detalhando sua visão para reduzir juros no Brasil. Sua proposta contempla um novo acordo entre políticas fiscal e monetária, incluindo a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que definiria metas para período de quatro a cinco anos.

Conforme o documento, o Banco Central se comprometeria a manter a taxa básica num intervalo entre a meta de inflação, estabelecida em 3%, e a taxa de crescimento nominal potencial, o que atualmente representaria aproximadamente 5,5% ao ano. Resende propõe uma redução gradual dos juros ao longo de cerca de 12 meses para aproximadamente 7,5% ao ano, considerando um spread transitório de segurança.

Atualmente, a taxa Selic está fixada em 13,75% ao ano, conforme definido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. O economista critica a elevada taxa de juros, argumentando que a economia brasileira enfrenta um problema fundamental que possui solução clara.

Reações políticas à proposta

A deputada federal Gleisi Hoffmann, ex-ministra das Relações Institucionais, manifestou apoio ao artigo de Resende nas redes sociais, considerando-o fundamental para enfrentar críticas à política fiscal brasileira. A parlamentar defendeu o direito do presidente de manter diálogos com economistas de diferentes perspectivas, asseverando que isso não implica mudanças nas posições do governo.

Hoffmann também criticou reações negativas do mercado financeiro ao possível encontro, afirmando que o presidente Lula não realizará alterações nas promessas feitas durante a campanha eleitoral.

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