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Diretor condenado a 30 meses por fraude de US$11 milhões

Diretor Carl Rinsch é sentenciado a prisão nos EUA por desvio de recursos Netflix. Conheça detalhes da fraude milionária na série Conquest.

Diretor condenado a 30 meses por fraude de US$11 milhões
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/noticia/2026/06/29/diretor-e-condenado-a-30-meses-de-prisao-por-fraude-milionaria-contra-estudio-nos-eua.ghtml

Condenação do cineasta por desfalque milionário

O cineasta Carl Rinsch recebeu sentença de 30 meses de prisão federal nesta segunda-feira (29), sendo o diretor condenado fraude após malversação de US$ 11 milhões (R$ 56,8 milhões na cotação atual) destinados ao estúdio responsável pela série "Conquest". A produção, que nunca chegou a ser exibida, faz parte de um dos casos mais peculiares de desacordo financeiro envolvendo plataformas de streaming.

Preso em março de 2025, Rinsch foi considerado culpado pelo júri em dezembro do ano passado. Conforme revelou a acusação, ele desviou os recursos fornecidos pela Netflix para transações em criptomoedas, aquisição de veículos de luxo e outras despesas pessoais, em vez de utilizá-los para completar as filmagens conforme contratado.

Detalhes da fraude e desvio de recursos

A investigação demonstrou que logo após formalizar o acordo com a plataforma de streaming, o comportamento do realizador tornou-se cada vez mais errático, conforme registrado por membros do elenco, equipe técnica e correspondências analisadas pelo New York Times. Documentos processuais de uma ação de divórcio contra sua esposa revelaram ainda alegações delirantes do cineasta, incluindo afirmações sobre ter descoberto um mecanismo secreto de transmissão da Covid-19 e capacidade de prever relâmpagos.

A série, originalmente intitulada "White Horse", era concebida como uma épica de ficção científica com gravações planejadas em múltiplos países, sendo o Brasil um dos cenários principais. O elenco incluía nomes renomados como Keanu Reeves e Bruna Marquezine, conferindo prestígio à produção.

Trajetória financeira problemática

De acordo com registros do tribunal, Rinsch iniciou as gravações em São Paulo rapidamente extrapolando o orçamento disponível. Apesar de contratado para entregar sete episódios completos, o diretor posteriormente informou à Netflix que conseguiria concluir apenas um único episódio com os recursos já fornecidos, evidenciando o desvio significativo de fundos.

Apoio de celebridades e questões de saúde mental

Keanu Reeves, que havia trabalhado com Rinsch no filme "47 Ronins" (2013), foi uma das personalidades que apresentou um testemunho escrito ao tribunal. Conforme reportado pela revista Variety, Reeves descreveu sua participação em "um esforço em 2019 para conseguir ajuda para Carl em uma intervenção e tratamento de saúde mental, o que Carl rejeitou". O ator reconheceu os problemas de saúde mental do cineasta como relevantes ao contexto do caso.

O juiz determinou que Rinsch se apresente à penitenciária federal em 1º de setembro para cumprir sua sentença. A defesa pode requerer revisão ou apelação durante este período.

Cancelamento e fim da produção

A série foi oficialmente cancelada em 2023, após a plataforma reconhecer o padrão de "comportamento errático" do diretor e o desfalque comprovado de recursos financeiros. O New York Times publicou uma reportagem em profundidade denominada "A estranha saga de US$ 55 milhões de uma série da Netflix que você nunca verá", destacando a singularidade e gravidade do incidente.

A produção havia planejado extensas campanhas de filmagem envolvendo Quênia, México, Romênia, Berlim, Hungria e Uruguai durante o ano de 2019. Contudo, quando as gravações começaram em solo brasileiro, os custos rapidamente se tornaram insustentáveis, levando ao colapso do projeto.

Impacto e repercussão do caso

Este caso representa um marco preocupante para a indústria audiovisual, demonstrando vulnerabilidades nos processos de supervisão financeira de grandes produções. A condenação do diretor estabelece precedente importante sobre responsabilidade criminal em contextos de fraude envolvendo plataformas de streaming e recursos internacionais.

O caso também trouxe à tona discussões sobre saúde mental na indústria criativa e a necessidade de implementar mecanismos mais robustos de auditoria e acompanhamento em projetos de alto orçamento.

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