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Daniela Mercury vence Grammy Latino e marca história no axé

Daniela Mercury recebe Prêmio à Excelência Musical do Grammy Latino 2025, primeira artista de axé a ganhar a honraria que reconhece trajetória artística e contribuição musical.

Daniela Mercury vence Grammy Latino e marca história no axé
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/01/daniela-mercury-quebra-barreira-como-a-primeira-artista-de-axe-music-a-ganhar-grammy-latino-pela-excelencia-musical.ghtml

Daniela Mercury conquista prêmio histórico na música brasileira

A Academia Latina de Gravação reconheceu a importância de Daniela Mercury ao conceder o Prêmio à Excelência Musical na 27ª edição do Grammy Latino, em cerimônia programada para 9 de novembro em Las Vegas, nos Estados Unidos. Essa decisão marca um momento significativo na história da música, uma vez que Daniela Mercury torna-se a primeira artista associada ao axé a receber essa distinção, que simboliza o reconhecimento pelo conjunto da obra e pela trajetória percorrida no mundo da música.

A condecoração posiciona-se ao lado de outros nomes ilustres como Ivan Lins, Lulu Santos e Simone, brasileiros que já foram agraciados com a Lifetime Achievement Award nos últimos anos. Contudo, a singularidade da honraria a Daniela Mercury reside exatamente no fato de que nenhum artista do universo do axé havia conquistado essa láurea previamente, consolidando um passo importante para o reconhecimento internacional dos gêneros musicais de origem baiana.

Trajetória que amplificou o samba-reggae e a música afro-baiana

Daniela Mercury ganhou projeção nacional no início da década de 1990 como a cantora que amplificou o alcance do samba-reggae por todo o Brasil. Sua contribuição ultrapassa as fronteiras nacionais, tendo propagado a música afro-baiana em contextos internacionais, consolidando-se como figura fundamental na difusão cultural do estado da Bahia no cenário global.

A discografia de Daniela Mercury apresenta álbuns que marcaram gerações e definiram padrões para o axé music. Obras como "O canto da cidade" (1992), "Feijão com arroz" (1996), "Sol da liberdade" (2000) e "Balé mulato" (2005) constituem registros relevantes que demonstram a qualidade musical e a versatilidade da artista. Estes projetos não apenas conquistaram o público, mas também influenciaram outras gerações de músicos brasileiros.

Fidelidade ao axé para além do apogeu comercial

O que distingue Daniela Mercury no mercado musical é sua lealdade ao universo do axé mesmo após o declínio comercial do gênero. Enquanto muitos artistas optaram por transições estilísticas, a cantora baiana manteve-se vinculada às raízes musicais que a projetaram internacionalmente.

Na década de 2020, Daniela Mercury lançou três álbuns de estúdio que reafirmam seu compromisso com o axé. "Perfume" (2020), "Baiana" (2022) e "Cirandaia" (2025) demonstram continuidade criativa e relevância artística. O álbum "Cirandaia", em particular, consolidou-se como o projeto mais coeso e significativo da artista em dois decênios, trazendo composições como "Axé Salvador" e "É terreiro" que ressaltam a vitalidade do gênero, especialmente no contexto do Carnaval baiano, mesmo que o axé não goze mais do prestígio comercial dos anos 1990.

Quatro décadas de carreira e ativismo musical

O Grammy Latino chega para Daniela Mercury em momento simbólico: o ano em que a artista completa quatro décadas de atividade profissional na música. Seu ingresso no cenário artístico ocorreu em 1986, quando se apresentava em bares de Salvador, sua cidade natal.

O percurso profissional iniciou como backing vocal do bloco Eva, atuação que perdurou até 1988. Posteriormente, exerceu a função de vocalista da banda Companhia Clic entre 1989 e 1990. A carreira solo, que se tornaria determinante para sua projeção nacional e internacional, foi impulsionada em 1991 com o lançamento do álbum que apresentava o samba-reggae "Swing da cor", marca de 35 anos de trabalho independente.

Valorização do ativismo e da música afro-pop-baiana

Ao longo de suas quatro décadas, Daniela Mercury enfatizou o ativismo social e cultural, valorizando a música afro-pop-baiana conhecida popularmente como axé. Sua trajetória contrasta com a abordagem das elites culturais tradicionais, que historicamente minimizaram o axé por sua essência popular, festiva e comunitária, baseada em ritmicas intensas e levadas que mobilizam multidões nos cortejos de trios elétricos e casas de shows.

A música praticada por Daniela Mercury representa a cultura popular em sua forma mais autêntica, valorizando a dimensão folião e comunitária que caracteriza as celebrações baianas. Seu ativismo manifesta-se na defesa dessa tradição musical contra preconceitos estéticos e sociais que historicamente desconsideraram o gênero.

O reconhecimento como quebra de barreira

A concessão do Prêmio à Excelência Musical a Daniela Mercury representa mais que um reconhecimento individual; constitui um marco na história do Grammy Latino e da música brasileira. Ao escolher uma artista identificada com o axé, gênero frequentemente tratado com desdém pelas instâncias culturais hegemônicas, a Academia Latina de Gravação sinaliza uma transformação nas políticas de reconhecimento musical.

Esta decisão valida décadas de trabalho consistente, refuta estigmatizações sociais associadas ao axé e afirma que a excelência musical não se restringe a determinadas categorias estéticas ou classes culturais. Daniela Mercury transcende sua condição de artista individual para representar toda uma tradição musical baiana historicamente marginalizada, transformando sua homenagem em reconhecimento de um patrimônio cultural brasileiro.

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