Chefe de Gabinete de Milei deixa cargo após investigação por ocultação de patrimônio
Manuel Adorni, chefe de Gabinete do governo argentino, renuncia após acusações de enriquecimento ilícito e ocultação de bens. Confira os detalhes do escândalo.

Renúncia do Chefe de Gabinete em meio a investigações
Manuel Adorni, chefe de Gabinete do governo argentino, deixou seu cargo neste sábado (27) após envolvimento em investigação sobre suposto enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. O porta-voz do regime de Javier Milei comunicou sua saída através de publicação em redes sociais, onde expressou gratidão ao presidente pela oportunidade de servir.
A demissão de Adorni marca um desfecho significativo em um dos maiores escândalos administrativos do governo atual. Adorni, figura proeminente na administração Milei desde dezembro de 2023, permaneceu no cargo mesmo diante de pressões crescentes da oposição e do sistema judiciário argentino.
Detalhes das acusações contra Adorni
O chefe de Gabinete admitiu recentemente ter ocultado 500 mil dólares, equivalentes a aproximadamente R$ 2,6 milhões, em suas declarações de patrimônio oficial. Segundo sua versão, tratava-se de economias não declaradas acumuladas por investimentos em criptomoedas durante o período entre 2014 e 2018.
No entanto, essa explicação contradiz pronunciamentos anteriores feitos pelo próprio Adorni ao Congresso Nacional argentino. Em abril deste ano, durante depoimento parlamentar, o então funcionário afirmou categoricamente que "nunca houve ocultação alguma" de seu patrimônio, negando completamente as suspeitas que posteriormente confirmou.
Investigação ampla sobre bens adquiridos
A Justiça Federal argentina ampliou as investigações relacionadas ao caso, incluindo denúncias sobre compra e reforma de imóveis financiados com centenas de milhares de dólares. Este desdobramento sugere possível envolvimento em atividades financeiras não documentadas ou irregularmente registradas.
Postura de Milei até o momento da renúncia
O presidente Javier Milei demonstrou intenção clara de manter Adorni em seu gabinete, oferecendo-lhe apoio público mesmo com o agravamento das acusações. Na quinta-feira (26), durante visitação oficial à Espanha, Milei declarou que apenas removeria seu chefe de Gabinete caso a autoridade judiciária competente o condenasse por corrupção.
Esta posição revelava a confiança e proximidade entre o presidente e seu assessor direto. Contudo, a pressão contínua de investigações e questionamentos públicos conduziram finalmente à aceitação da renúncia por parte do mandatário argentino.
Trajetória de Adorni no governo
Manuel Adorni, com 46 anos de idade, iniciou sua atuação no governo Milei como porta-voz presidencial logo após a posse do presidente, em 10 de dezembro de 2023. Sua performance como comunicador o levou à promoção para chefe de Gabinete em novembro do ano anterior, consolidando sua posição como um dos assessores mais influentes da administração.
Sua saída representa significativa mudança na estrutura administrativa da presidência, removendo uma figura que havia se tornado central nas operações governamentais e nas comunicações oficiais.
Declaração oficial na carta de demissão
Na comunicação dirigida a Milei, Adorni expressou reconhecimento pela compreensão presidencial, mencionando que aquele momento representava a primeira ocasião em que se via obrigado a contrariar os desejos do presidente. A carta revelava tom respeitoso e agradecido, sugerindo saída consentida mutuamente, ainda que sob circunstâncias desafiadoras.
O desenvolvimento desta situação continua gerando repercussões significativas no cenário político argentino, com novos capítulos emergindo regularmente na mídia especializada em questões governamentais e judiciárias.
