Do tapete vermelho às passarelas, a moda tem se tornado cada vez mais do que apenas uma forma de se vestir. Ela tem se tornado um meio de expressão e posicionamento, onde a neutralidade é cada vez mais rara de ser encontrada.
Antigamente, a moda era vista apenas como uma maneira de seguir tendências e se adequar aos padrões estabelecidos pela sociedade. No entanto, com o passar dos anos, a moda foi ganhando espaço e se tornando uma ferramenta poderosa de comunicação.
Hoje em dia, é comum vermos celebridades usando suas roupas e acessórios para transmitir mensagens e causas que acreditam. O tapete vermelho, que antes era apenas um desfile de vestidos glamourosos, agora se tornou um palco para protestos e manifestações. A moda se tornou uma forma de se posicionar e de chamar a atenção para questões importantes.
Nas passarelas, a história não é diferente. Os desfiles de moda têm se tornado cada vez mais políticos e engajados. Grandes estilistas e marcas têm usado suas coleções para abordar temas como diversidade, sustentabilidade e inclusão. A moda tem se tornado uma ferramenta de conscientização e de mudança social.
Um exemplo recente disso foi o desfile da marca Gucci, na Semana de Moda de Milão, que trouxe modelos carregando réplicas de suas próprias cabeças nas mãos. A intenção era chamar a atenção para a importância de se discutir a identidade e a individualidade em um mundo cada vez mais padronizado.
Outro exemplo é a marca francesa Balenciaga, que em seu desfile de outono/inverno 2020, trouxe modelos com roupas que remetiam a uniformes de trabalhadores. A ideia era mostrar a importância e o valor do trabalho manual em um mundo cada vez mais automatizado.
Além disso, a moda também tem sido uma forma de dar voz a minorias e grupos marginalizados. Marcas como a Savage X Fenty, da cantora Rihanna, têm se destacado por trazer diversidade em seus desfiles e campanhas. A marca de lingerie tem como objetivo incluir mulheres de diferentes tamanhos, etnias e orientações sexuais, mostrando que a beleza não tem um padrão único.
A moda também tem sido uma aliada na luta pela sustentabilidade. Com o aumento da conscientização sobre os impactos negativos da indústria da moda no meio ambiente, muitas marcas têm adotado práticas mais sustentáveis em suas produções. O uso de materiais reciclados, a redução do consumo de água e a diminuição do desperdício têm sido algumas das medidas adotadas pelas marcas.
Além disso, a moda também tem sido uma forma de empoderamento feminino. Cada vez mais marcas têm se posicionado a favor do feminismo e da igualdade de gênero. A marca Dior, por exemplo, lançou uma campanha em 2017 com a frase “We should all be feminists” (Todos nós deveríamos ser feministas, em português), inspirada no livro da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.
Com todas essas mudanças, a moda tem se tornado cada vez mais inclusiva e diversa. A neutralidade, que antes era vista como regra, agora é exceção. As marcas têm percebido a importância de se posicionar e de abraçar causas e valores em suas coleções e campanhas.
No entanto, é importante ressaltar que a moda ainda tem um longo caminho a percorrer. A indústria ainda é marcada por padrões de beleza inalcançáveis e por práticas pouco sustentáveis. Mas é inegável que ela tem evoluído e se tornado uma ferramenta de mudança e conscientização.
Do tapete vermelho às passarelas