Um grupo de especialistas do Conselho da Europa recentemente fez um pedido urgente ao governo português: impor a formação obrigatória aos juízes para combater as sanções brandas e desproporcionais nos crimes de violência doméstica e sexual. Esta é uma medida crucial e necessária para garantir a proteção das vítimas e a justiça para os agressores.
A violência doméstica e sexual é um problema grave e persistente em todo o mundo. Infelizmente, Portugal não é exceção. De acordo com dados do Ministério da Administração Interna, em 2019 foram registados mais de 26 mil casos de violência doméstica no país. Além disso, a maioria das vítimas de violência sexual são mulheres, representando 85% dos casos relatados. Estes números são alarmantes e exigem uma ação imediata.
O grupo de especialistas do Conselho da Europa, composto por membros do Comité para a Prevenção da Tortura e Tratamento ou Punição Cruel, Desumano ou Degradante (CPT), visitou Portugal em outubro de 2019. Durante a sua visita, o grupo expressou a sua preocupação com as sanções brandas e desproporcionais aplicadas aos autores de crimes de violência doméstica e sexual. Eles também destacaram a necessidade de garantir que as vítimas tenham acesso à justiça e à proteção adequada.
Neste contexto, os especialistas do Conselho da Europa fizeram um pedido direto ao governo português: impor a formação obrigatória aos juízes em relação aos crimes de violência doméstica e sexual. Esta formação deve incluir a compreensão do fenómeno da violência de género, as necessidades e os direitos das vítimas, bem como as medidas e sanções adequadas para os agressores. Além disso, a formação deve ser atualizada regularmente para garantir que os juízes estejam cientes das mudanças na legislação e nas melhores práticas no combate à violência doméstica e sexual.
Esta medida é fundamental para garantir que os juízes tenham um conhecimento aprofundado sobre a violência de género e possam aplicar as sanções adequadas aos autores de tais crimes. Muitas vezes, as vítimas de violência doméstica e sexual enfrentam uma batalha árdua para obter justiça, pois os agressores podem receber penas leves e até mesmo evitar a prisão. Isso não só é injusto para as vítimas, mas também envia uma mensagem errada à sociedade, de que a violência contra as mulheres é tolerada e não será punida adequadamente.
Além disso, a formação obrigatória para os juízes também pode ajudar a combater o preconceito e os estereótipos de género que ainda existem no sistema judicial. Muitas vezes, as vítimas de violência doméstica e sexual são desacreditadas e culpabilizadas por seus agressores. Com uma formação adequada, os juízes podem garantir que as decisões sejam tomadas com base em fatos e evidências, e não em preconceitos e estereótipos.
É importante enfatizar que a formação obrigatória para os juízes não é apenas uma medida punitiva, mas também uma medida preventiva. Ao aumentar o conhecimento dos juízes sobre a violência de género, podemos esperar uma melhoria na qualidade das decisões judiciais e, consequentemente, uma maior proteção para as vítimas. Além disso, ao impor a formação obrigatória, o governo português está enviando uma mensagem clara de que a violência doméstica e sexual não serão toleradas e que a justiça será aplicada de forma rigorosa.
Em conclusão, o pedido do grupo de


